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Se fosse possível cavar um túnel diretamente sob os nossos pés, atravessar a crosta terrestre, passar pelo manto e pelo núcleo e sobreviver à viagem, onde exatamente sairíamos do outro lado do planeta?
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Apesar da crença popular de que alguém que cavasse um túnel a partir dos Estados Unidos acabaria na China, a resposta provavelmente seria bem diferente. Uma ferramenta interativa chamada ThroughEarth permite descobrir exatamente qual seria o ponto de saída de acordo com o local escolhido para iniciar a escavação.
O site gratuito calcula o ponto antipodal — a localização exatamente oposta a um determinado ponto da superfície terrestre. A distância entre os dois locais é de aproximadamente 12.742 quilômetros.
Ao selecionar um ponto no mapa, o ThroughEarth mostra uma animação da suposta jornada pelo interior do planeta, passando pela crosta, pelo manto e pelo núcleo até chegar ao outro lado. A plataforma também apresenta informações sobre o interior da Terra, incluindo as temperaturas extremas encontradas durante o trajeto e quanto tempo levaria para percorrer a distância em queda livre.
A ideia surgiu de uma pergunta feita por crianças. Martin Krpelan, responsável pelo projeto, contou à IFLScience que tudo começou durante uma conversa com seus filhos em um playground.
“Estávamos conversando sobre o que aconteceria se pudéssemos cavar um túnel diretamente para baixo no solo — onde acabaríamos saindo? Era basicamente uma pergunta de criança, mas ela ficou na minha cabeça.”

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O ThroughEarth utiliza dados da Natural Earth e a famosa imagem da Terra conhecida como Blue Marble, da NASA.
Segundo Krpelan, o cálculo necessário para encontrar o ponto antipodal é “surpreendentemente simples”. Para isso, basta inverter a latitude e deslocar a longitude em 180 graus. A latitude passa a ter o sinal contrário, enquanto a longitude é deslocada em 180° e normalizada novamente para ficar entre -180° e 180°.
“O interessante é tudo o que acontece ao redor desse cálculo. O ThroughEarth também observa a geografia ao redor dos dois pontos e determina se o local oposto é terra ou oceano”, explicou Krpelan.
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É justamente essa análise que permite à plataforma mostrar informações, como a proporção de apenas cerca de 15% das terras do mundo possuir outra área terrestre diretamente oposta.
Na prática, obviamente, não seria possível realizar uma viagem desse tipo. O buraco mais profundo já perfurado pela humanidade é o Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, que chegou a 12.263 metros de profundidade.
Mesmo essa marca representa apenas cerca de 0,2% da distância necessária para chegar ao núcleo da Terra — muito menos, portanto, do que seria necessário para atravessar o planeta inteiro.
Assim, a humanidade provavelmente nunca conseguirá chegar fisicamente ao centro da Terra, muito menos atravessar o planeta e sair do outro lado. Para essa experiência hipotética, resta recorrer ao mapa interativo do ThroughEarth.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Bruno Capozzi
Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.
Fonte: Olhar Digital