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DO RADAR, EM EUNÁPOLIS (BA) – O padre Diego Oliveira Reis, pároco da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora de Eunápolis, anunciou, na noite desta sexta-feira (9), o cancelamento do ato “Jesus na Praça das Eleições”. O evento estava agendado para o dia 22 de outubro, às 19h, na Praça Frei Calixto. O recuo ocorreu após uma forte onda de rejeição por parte da comunidade católica.
A polêmica começou na última terça-feira (6), quando os perfis oficiais da paróquia e a conta pessoal do padre Diego compartilharam um vídeo no qual ele aparecia ao lado de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida convidando os fiéis para o ato e para uma carreata pelas ruas do município. A escolha da data – dia 22 – gerou controvérsia por coincidir com o número de urna da candidatura presidencial apoiada abertamente pelo pároco, que se declara eleitor de Flávio Bolsonaro na bio de seu Instagram pessoal. A postagem atraiu centenas de comentários de paroquianos repudiando a iniciativa.
Antes de optar pelo cancelamento, a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, sede da Catedral Diocesana de Eunápolis, havia divulgado, na quarta-feira (7), uma extensa nota de esclarecimento assinada pelo padre Diego. No texto, ele defendia o caráter “político-religioso” da mobilização, argumentando que a Igreja não deve ser partidária, mas tampouco apolítica.
Na nota, o sacerdote afirmou existir uma “irreconciliável incompatibilidade entre o cristianismo e a esquerda”. Segundo o texto assinado por ele, “os valores cristãos em nada coincidem com comunismo e socialismo” e o apoio de católicos a essas correntes seria fruto de desconhecimento técnico da história ou da própria doutrina da Igreja.
Na mesma nota, o padre assegurou que não pretendia transformar a paróquia em comitê eleitoral, mas avisou que não seria um pastor indiferente e recomendou que os descontentes bloqueassem o perfil ou não comparecessem ao ato.
A persistência do mal-estar entre os fiéis motivou o anúncio de cancelamento nesta sexta-feira. Em novo vídeo publicado nas redes sociais da paróquia e em sua página pessoal, o padre Diego Reis adotou um tom mais brando e pediu desculpas públicas. Ele relatou ter conversado com paroquianos que disseram ter se sentido excluídos com seu posicionamento anterior.
“Aquilo me tocou muito. Eu pedi a eles perdão e aproveito essa oportunidade também no vídeo, já que eu sei que aquela parcela pequena de pessoas representa uma parcela grande de pessoas que certamente se ofenderam”, declarou o sacerdote.
Apesar de reafirmar o direito de manter suas convicções pessoais, o religioso justificou a suspensão do evento em respeito à comunidade. “Apesar de eu ter a minha posição política, e eu fiz questão de expressá-la, eu me sinto pastor e pai de todos. E, consequentemente, mesmo planejando um evento que acolhesse todo mundo, em respeito a todas essas pessoas que nos pediram, a gente está cancelando. Tenho a missão de reconhecer quando estou errado ou pedir desculpas quando necessário”, concluiu.
A conduta de clérigos em períodos eleitorais obedece a normas rigorosas do Direito Canônico e às orientações oficiais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Código de Direito Canônico veda expressamente aos clérigos a participação ativa em partidos políticos ou em campanhas eleitorais, visando preservar a unidade da comunidade e o foco exclusivo na missão pastoral.
A CNBB reforça sempre que padres e bispos devem atuar como pastores e formadores de consciência, mas jamais como cabos eleitorais. É estritamente proibido manifestar apoio público a candidatos, gravar mensagens de cunho eleitoral ou utilizar igrejas, praças paroquiais e os meios de comunicação oficiais das dioceses para promover agendas de candidatos ou partidos.
O direcionamento ou uso de páginas institucionais de paróquias e catedrais para fins de mobilização partidária configura violação das normas disciplinares eclesiásticas, podendo sujeitar o sacerdote a sanções como advertências formais e suspensão de funções ministeriais.
Fonte: Política – RADAR | Notícias de Porto Seguro, Eunápolis e região