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Um estudo publicado na revista Vertebrate Zoology revela que uma ave amazônica antes considerada uma única espécie, na verdade, corresponde a cinco distintas. A revisão científica também identificou duas espécies até então desconhecidas, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade da região e indicando que ainda há variedade oculta mesmo entre animais já estudados.
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A descoberta surgiu quando pesquisadores analisaram diferenças nos cantos das aves. Apesar da aparência praticamente idêntica, os sons variavam de acordo com a localização, mostrando que essas populações seguiram caminhos evolutivos diferentes ao longo do tempo e não pertencem a uma única espécie, como se pensava.
Em resumo:

A pesquisa começou com a análise de centenas de gravações feitas em diferentes regiões da Amazônia. Os cientistas perceberam que aves visualmente iguais apresentavam padrões de canto distintos, repetidos de forma consistente em áreas específicas.
Conduzido pelo ornitólogo Vagner Cavarzere, da Universidade Estadual Paulista, o estudo reorganizou o grupo Cercomacra cinerascens (popularmente conhecido como chororó-pocuá) em cinco espécies, incluindo duas novas: Cercomacra mura e Cercomacra raucisona.
Quando os cantos passaram a ser associados a regiões bem definidas, a ideia de uma única espécie deixou de fazer sentido. O som se mostrou um critério mais confiável do que a aparência para diferenciar essas aves.
A plumagem das aves ofereceu poucas pistas para a separação. Machos e fêmeas apresentavam características muito semelhantes, com variações discretas mesmo em áreas geográficas distintas.
Estudos indicam que o canto dos chororó-pocuás é herdado geneticamente, o que reforça sua importância científica. Diferentemente de espécies que aprendem sons, esses padrões vocais refletem a evolução de cada grupo. Por isso, a bioacústica se tornou fundamental no estudo. Nesse caso, os sons foram mais úteis do que características físicas para identificar e delimitar as espécies.
Os pesquisadores observaram que os diferentes cantos estavam distribuídos conforme a geografia da Amazônia. Populações distintas eram encontradas em lados opostos de grandes rios.
Rios como Amazonas, Madeira e Tapajós atuam como barreiras naturais que dificultam o contato entre grupos. Ao longo de milhares de anos, essa separação contribui para a formação de novas espécies.

A coincidência entre limites geográficos e diferenças vocais reforçou as conclusões. Esses fatores indicam que as populações evoluíram de forma isolada.
Cercomacra mura, uma das duas espécies desconhecidas, foi nomeada em homenagem ao povo indígena Mura, que vive na região amazônica.
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Já a Cercomacra raucisona se destaca por seu canto alto e áspero, formado por poucas notas. Esse padrão vocal é uma das principais características que diferenciam a espécie.
A análise de gravações mostrou que esses cantos seguem padrões consistentes. Isso confirma que não são variações aleatórias, mas sinais claros de espécies distintas.
Para lidar com grande volume de dados, os cientistas utilizaram o sistema BirdNET. A ferramenta usa inteligência artificial (IA) para identificar padrões em sons de animais.
O sistema alcançou cerca de 90% de precisão na classificação. Isso ajudou a acelerar o trabalho e organizar as informações de forma mais eficiente. Mesmo assim, os pesquisadores destacam que a análise humana continua essencial. Em alguns casos, o ouvido humano identificou diferenças que o software não detectou.
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Além das gravações, foram analisados 682 espécimes preservados em museus. Esse material permitiu comparar características físicas entre populações de diferentes regiões. As amostras revelaram variações sutis na coloração e em detalhes das penas. Essas diferenças ajudam a reforçar a separação entre os grupos identificados.
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A nova divisão tem impacto direto na conservação das aves. Antes, uma única espécie parecia ocupar uma área extensa, o que indicava menor risco ambiental. Com a divisão, algumas espécies têm distribuição limitada. Isso aumenta a vulnerabilidade diante de ameaças como o desmatamento.
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Segundo os pesquisadores, reconhecer corretamente cada espécie é essencial, porque permite planejar ações de proteção mais eficazes.
A principal conclusão é que a biodiversidade amazônica pode ser maior do que se imagina. Espécies aparentemente conhecidas podem esconder múltiplas formas distintas. Ao combinar dados de som, geografia e exemplares de museus, os cientistas revelaram diferentes trajetórias evolutivas dentro de um mesmo grupo.
Com informações do site Earth.com
Fonte: Olhar Digital