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Lisboa, e os portugueses, tem uma relação com terremotos trágica e muito antiga. O maior desastre da história do país ocorreu em 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, quando um tsunami, incêndios e tremores causados por um terremoto de magnitude entre 8,5 e 9,0 na escala Richter mataram milhares de pessoas pelas ruas da cidade.
De acordo com a revista Phys, a região é constantemente impactada por eventos dessa magnitude. Anteriormente, em 1356, e mais recentemente, em 1969, Portugal também sofreu com forte tremores. Neste último evento, pesquisadores conseguiram identificar sua origem, na Planície Abissal da Ferradura, distante de qualquer falha tectônica conhecida.

Pesquisadores procuram entender por que a região é atingida por tremores tão devastadores há anos, mas essa descoberta lançou um pouco de luz aos eventos. Em estudo publicado na Nature Geoscience, a anomalia foi descrita por meio de imagens capturadas de sismômetros terrestres e oceânicos, além de simulações que testaram cenários de convergência entre estruturas terrestres, explica a matéria na Phys.
Localizada a 200 quilômetros do largo de Cabo de São Vicente, na região de Sagres, ao Sul de Lisboa, uma fissura na placa tectônica formada há cerca de 5 milhões de anos pode explicar os terremotos na região.
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O estudo mostra que duas fraturas na crosta terrestre podem ter desprendido parte da placa oceânica e iniciado um processo chamado subducção – que é quando uma placa mergulha sob outra. O processo, até então pouco compreendido, é conhecido por causar terremotos extremamente potentes, explica o estudo.
Naquela zona nunca tinha sido encontrada uma falha óbvia que explicasse um sismo com a magnitude do de 1969.
João Duarte, geólogo, co-autor do estudo e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, à CNN.

Segundo Duarte, este enigma também serviu como “motivação da investigação” sobre o evento de 1755, pelo fato de nunca terem encontrado “uma falha com dimensões suficientes para gerar um sismo como o de 1755”, explicou.
Para Duarte, o que foi revelado pelo estudo pode ser a explicação para os terremotos na região, pois “há uma porção da placa tectônica está se separando em um processo chamado ‘delaminação’”, afirma.
O estudo demonstra que uma parte da placa tectônica em Portugal está se rompendo horizontalmente, como se fosse cortada por uma lâmina. A parte de baixo, então, está se afundando de maneira mais profunda que o normal, enquanto a parte de cima se mantém estável, por isso não é visível no fundo do mar.

Esse lento processo acontece há milhões de anos e foi descoberto pela equipe usando “ecografias da Terra”, que analisam os sismos e o som do subsolo.
Entenda o processo:
Para Duarte, o estudo abre espaço para que novas investigações sejam feitas no futuro em uma zona já considerada de risco elevado para terremotos.
Fonte: Olhar Digital